terça-feira, 3 de junho de 2014

Viva Sasha Shulgin!

QUEM PROCURA SASHA

Popularizador do ecstasy e criador de 230 psicodélicos,
Sasha Sulgin abre a porta de casa
13.07.2009 | Texto: Bruno Torturra Nogueira | Fotos: >Renata Mein

Sasha com os cactus de seu jardim, que fornecem matéria-prima para boa parte das pesquisas que desenvolve no laboratório dos fundos de sua casa
Sasha com os cactus de seu jardim, que fornecem matéria-prima para boa parte das pesquisas que desenvolve no laboratório dos fundos de sua casa

Não é metáfora. Era noite, e eu vagava perdido pelo deserto em um hemisfério longe de casa quando achei o profeta. Não é tão dramático tampouco: era o deserto de Black Rock, Nevada, na primeira madrugada do festival Burning Man. E o profeta, no caso, é um homem sem religião ou doutrina. Mas que, e aqui vai todo o drama, é o papa do meu rebanho: dr. Alexander Shulgin, ou Sasha, para amigos e fãs.
Quando, no meio de 2008, arrumava as malas para vir aos EUA, coloquei muitas expectativas, mas pouquíssimos planos. Um deles era conhecer Sasha Shulgin. Por trás da empreitada de correspondente nos EUA estava a ideia de seguir uma intuição que se confundia com certeza: a de que nos estudos dos estados alterados da consciência eu acharia minha estrada espiritual. Por isso, encontrá-lo era como uma peregrinação sem liturgia. De um monge nada asceta atrás de um mestre que vive... sabe-se lá onde. Não havia templo, montanha ou um mísero e-mail para achá-lo. Estranha, ou adequadamente, a vida o colocou na minha frente.
Eu não tinha a menor ideia do que me esperava no Burning Man. Só sabia que eu tinha que estar lá e ponto. Se meus planos nos EUA envolviam me conectar com a comunidade psicodélica e aprofundar minhas pesquisas, o festival era obrigação. Resumindo o que não é sintetizável: 50 mil pessoas vão a um deserto extremamente seco e hostil para “celebrar a autoexpressão radical” e uma recente, difusa e ainda em gestação espiritualidade americana. Drogas psicodélicas são sacramentos nesse ramadã de freaks.
Eu acabara de deixar o automóvel no meio de uma multidão. Cheguei com uma companheira de trips e viagens, tão deslocada quanto eu, e uma onda de ansiedade nos dominou. Não tínhamos um conhecido por ali nem onde dormir ou comer. Renata, a cara amiga, aponta longe: “Vamos perguntar para aquele ali”. Era um senhor em trajes budistas, dançando em cima de um tablado. Simpático ao extremo, nos levou ao seu acampamento para ver o que podia fazer por nós. Sentado a uma mesa, hospedado no trailer ao lado de nosso guia budista, estava o dr. Shulgin.

Sasha com os cactus de seu jardim, que fornecem matéria-prima para boa parte das pesquisas que desenvolve no laboratório dos fundos de sua casa
Sasha com os cactus de seu jardim, que fornecem matéria-prima para boa parte das pesquisas que desenvolve no laboratório dos fundos de sua casa
Pai adotivo do ecstasySasha é um químico e farmacologista que desde o início dos anos 60 se dedica a uma missão: modelar e remodelar compostos psicodélicos como forma de “construir ferramentas para a exploração da consciência”, de acordo com sua definição. Desde sua primeira experiência nos anos 50, com mescalina, Sasha decidiu que seu legado seria aumentar, e muito, a quantidade de compostos (e a informação sobre seus efeitos e farmacologia) capazes de recalibrar mentes. Sem fama, e no conforto de seu lar, Sasha criou 230 novas drogas psicodélicas, publicou a receita de como fabricá-las e abriu a porta por onde dezenas de outros químicos despejaram pílulas, elixires e pozinhos pelo mundo.
A mais célebre criação de seu laboratório não é exatamente um de seus “filhos”, mas um adotivo. Desde 1914 a Metilenodioxi-N-Metanfetamina era apenas uma nota de rodapé farmacológica, de aplicação desprezada pela ciência. Sasha tratou de criar uma nova síntese para o tal MDMA. Ou como você, os cibermanos, os playboys, a sua mãe e o Datena conhecem muito bem: ecstasy. A molécula mudou a cultura, salvou e danou a vida de muita gente. E, sem medo de errar, foram comprimidos dela que forneceram energia e motivação para a fundação do Burning Man. Comprimidos de ecstasy que ajudavam a deixar milhares por ali alheios a quem era aquele velhinho de bengala sentado no meio da esbórnia.
Sasha testava os compostos que criava no laboratório dos fundos de sua casa primeiro em si, depois com sua mulher e com alguns amigos
Para mim, a esbórnia no deserto estava abortada. Queria aproveitar ao máximo a sorte de conhecer o homem. Meu fascínio por Sasha não é, de longe, devido ao ecstasy. Veio da leitura de Pihkal, uma química história de amor, seu livro de 1991, escrito com Ann Shulgin, sua esposa. Nessa obra, crucial para qualquer um que quer entender drogas como algo mais sutil do que o sempre alucinado senso comum, é descrito como Ann e Sasha percorreram sua vida até se encontrarem.
E de como a história de amor dos dois se confunde com a maior exploração psicofarmacológica da história. Como Sasha, Ann e uma seleta turma percorreram décadas investigando compostos que Sasha criava no laboratório dos fundos de sua casa. Testava primeiro em si, depois com sua mulher, depois com alguns seus amigos. E de como esse trabalho foi expandindo, em salas de psicoterapia pela Califórnia, as possibilidades dos exóticos e recém-nascidos compostos. Esse é o enredo que ocupa a primeira parte do livro e introduz a segunda, em que a síntese, a molécula, a dose e os comentários sobre os efeitos de cada uma das substâncias são descritos com humor e elegância. Mescalina e MDMA fazem parte dela. LSD, Psilocibina e DMT pertencem às triptaminas, família descrita da mesma forma.

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Sua jornada me fez virar seu fã. Além de químico, Sasha era um devotado à causa do prazer, da exploração das possibilidades da mente como forma de desobstruir qualquer barreira à vazão do amor. Nunca as patenteou, nunca as traficou, nunca achou boa ideia dar para moleques em raves ou tomá-las sem cuidadosa informação. É um artista transcendental, cuja obra ganha sentido e desdobramentos literalmente na cabeça do “espectador”. Também é um excelente escritor, lúcido e com uma habilidade fora do comum para escrever sem clichês sobre o indizível: o universo de uma viagem psicodélica. Nunca caiu na falta de critério da nova era. Nunca se colocou como guru. Nunca perdia a chance de ser engraçado.
Obama discursava por uma América justa. e Sasha, totalmente alheio, fazia questão de não ouvir
Eu só queria ficar perto e saber o que se passa, hoje em dia, na cabeça desse verdadeiro astronauta do espaço interior. Tenso, domando minha reverência, peço licença e sento do seu lado. Me apresento, explicando que conhecê-lo era um objetivo antigo. Sasha vira em minha direção e não estende a mão. Apenas o mindinho:
– Puxa meu dedo... – pede com uma octogenária cara de garoto.
Foi assim, com uma velhíssima piada de peido, que começamos nossa primeira conversa à sombra de seu trailer. Me contou que estava praticamente cego, portanto não poderia saber que rosto tenho. Era o segundo sentido que ia embora. O primeiro, há muitos anos, foi o olfato, vítima de décadas de laboratório e seus mal ventilados vapores. A vantagem de não ter um nariz sensível, explica o PhD, é que ele se divertia soltando silenciosos peidos em locais fechados para identificar o aroma apenas pelo rosto das pessoas. “Hahahaha. Eu gosto”, desabafa, logo explicando por que CH4, o metano (vulgo peido), cheira mal e que a literatura química tem diversas falhas na descrição dos hidrocarbonetos e seus estranhos perfumes.

Trip_178_SASHA_0004
Com a inseparável parceira no amor e palestras, Ann Shulgin, Sasha fala no Burning Man.
Ele estava com 83 anos no Burning Man. E com a memória impecável. O que eu não sabia, no entanto, era de sua loucura por palavras e truques com elas. Sasha, entre sua família e turma, é notório por piadas radicalmente infames e pela capacidade quase automática de fazer trocadilho com qualquer coisa que chega ao seu ouvido. Fez para mim um sentido danado. A química de Sasha era um eterno processo de inverter letras e posições em moléculas para deixá-las quase idênticas – mas com funções distintas. E provocar na cabeça reações ainda mais distintas. Também sabia de cor dezenas de poemas safados da Inglaterra. Sempre uma piada... sempre um comentário de duplo sentido... o que me fez pensar que, se fosse brasileiro, Sasha seria pernambucano.

Passei uma semana inteira no deserto. E evidente que apenas pequena parte dela gasta com Sasha. Mas sempre apreciava vê-lo caminhar só, e cego, sob o sol e o olhar jocoso de gente que não tinha a menor ideia de quem era aquele idoso de chapéu e camisa de turista. Lembro com gosto de uma cena que me disse muito de quem ele é: foi durante o Burning Man que Obama subiu ao palco da convenção democrata em Denver para aceitar a indicação do partido à candidatura para a Casa Branca. Ann Shulgin, sua esposa, sentada comovida, radinho ao pé do ouvido, pedindo silêncio aos convivas, escutando Obama discursar e prometer uma América mais justa. Sasha estava ao lado dela, mas totalmente alheio, fazendo questão de não ouvir, batucando levemente na bengala, cantarolando baixinho uma velha canção.

Jardim de cactos psicoativos na casa onde vivem
Jardim de cactos psicoativos na casa onde vivem
Sasha não acredita ou se interessa por política. Nem revoltado fica. Simplesmente prefere gastar seu humor com... humor. Não acredita nem por um segundo que a política, e o que ela sempre foi, é amiga da liberdade. E para Sasha liberdade tem mais a ver com velhas canções do que com comícios abarrotados. Na primeira vez que o visitei em sua casa, algumas semanas depois do Burning Man, perguntei a ele por que não se importava com política.

“Não gosto. Prefiro que eles fiquem lá e eu aqui. Não faço nada ilegal e eles não vêm aqui ver se estou fazendo nada ilegal. Para mim é um bom acordo.” Ele se refere nas entrelinhas ao dia em que o DEA, a polícia antidrogas corrupta (há alguma honesta?) americana, invadiu seu laboratório em 1994. Ele tinha autorização do mesmo DEA, desde os anos 60, para a posse e fabricação de uma série de drogas proibidas. Mas a publicação de Pihkal bateu como uma provocação intolerável aos federais. Se para mim o livro é uma ode à liberdade e à ciência de exploração da mente, para a polícia era um livro de receita para fabricantes de drogas. E de fato é: depois de Pihkal uma enxurrada de novas drogas das mais variadas potências e nuances chegou às ruas. E o governo teve que entrar em uma longa estrada de mais proibicionismo e controle.
Hoje, ele diz, “ninguém se atreve a vir atrás de mim, me processar. Eles sabem que eu estou louco para ir a um tribunal. Eles sabem que eles estão errados e eu posso provar”. Encerra a frase, claro, com um sorriso, e continua contando de suas aventuras no Brasil, quando, convidado por gente ligada ao governo federal nos anos 80, foi apresentado a um laboratório de MDMA funcionando em um hospital de Niterói. Segredo, claro, de gente influente que adorava tomar ecstasy em reuniões de sexta-feira. E estavam, por baixo dos panos, tentando iniciar os mesmos estudos psicodélicos e psicológicos que Sasha e Ann tocavam na Califórnia.
Para a polícia era um livro de receitas de drogas. E de fato é: depois de Pihkal uma enxurrada de novas drogas chegou às ruas

O repórter da Trip e Sasha entre trocadilhos infames no Burning Man
O repórter da Trip e Sasha entre trocadilhos infames no Burning Man
Naquela primeira visita ele me convidou para conhecer o laboratório. Uma pequena construção separada da casa, depois de uma estreita ponte de metal e de um bagunçado jardim de cactos. É deles que saíram as moléculas básicas (mescalina e outras) para a derivação das feniletilaminas. Daqueles cactos singelos nasceram o ecstasy, o STP, o 2C-B... O laboratório em si é um cenário, a toca do alquimista. Cheio de potinhos rotulados à mão em estantes de madeira, cada uma de um tamanho, cada pote de uma cor. Tubos e espirais e canos e balões e béqueres e toda a sorte de parafernálias que um leigo, como nós, enxerga como paisagem. O cheiro, que Sasha já não sente, um tanto cáustico e ao mesmo tempo agradável. Sobre a lareira, a lousa carrega uma molécula desenhada e a ordem: ME FAÇA.


Shulgin RoadVisitei Sasha outras vezes. Sempre que pude. Uma delas na Páscoa, quando anualmente oferece uma festa aos amigos. Gente dos EUA todo vem, gratos pelo convite e ansiosos pelos encontros. Desde os anos 60 Sasha gosta de reunir gente. É sua grande alquimia, no fundo. Pela propriedade da Shulgin Road (é o único morador da rua que sai de uma freeway) está espalhada gente de todo tipo. Velhos psicólogos entusiastas da psicodelia, antigos agentes do DEA aposentados, jovens químicos, programadores de software da velha guarda, médicos, especialistas em sonhos, ativistas antiproibição e toda a variada e excitante fauna humana que antes de colocar qualquer coisa na boca, ou na veia, estuda bem do que se trata. Nesse dia, Sasha vira um poço onde os outros despejam amor. Todos com um abraço e palavras tenras ao bom doutor. E, nos olhos de todos, a leve melancolia de notar o dono da festa no ocaso da vida. Ele também sabe disso. E parece não se importar.
Em nosso último encontro ele estava mais aéreo, perdendo um pouco da lucidez imaculada em décadas de drogas das mais exóticas. o que não perde, nem por um segundo, é o humor
Na última vez que o visitei, para uma entrevista formal e as fotos que estão nesta reportagem, Sasha fizera 84 anos no dia anterior. O bolo ainda estava na mesa, e pude provar um pedaço. Mas a ocasião era ainda mais solene. Sasha estava ditando o finalzinho do seu último e definitivo livro: o Shulgin Index, um monstro de quase 2 mil páginas, sua obra magna que vai dar à famarcologia, receita, efeitos e cada referência anotada de todas as feniletilaminas psicoativas que Sasha criou ou, simplesmente, cuidou de catalogar. E anunciou que, mesmo cego, agora munido de um assistente que lhe servirá como um par de olhos, pretende voltar ao laboratório para criar mais drogas no tempo que lhe resta nesta trip na Terra.

Sasha tranca seu lendário e mágico laboratório
Sasha tranca seu lendário e mágico laboratório
Em nosso último encontro ele estava mais aéreo, perdendo um pouco da lucidez imaculada em décadas de drogas das mais exóticas. Para mim foi duro vê-lo se confundir no meio de uma resposta ou entrar em longas digressões para nunca mais voltar. O que não perde, nem por um segundo, é o humor. Insiste na piada, nos trocadilhos, mesmo quando diz que vê o mundo indo irreversivelmente para um estado fascista. Ou quando fala de como se esqueceu de quem eu era quando solicitei a entrevista. Ou de como as pessoas usam drogas sem critério. Ou de como sabe que a morte está chegando porque começou a ter memórias vívidas da sua mais antiga infância, 2 ou 3 anos de idade.

Explico a ele que a entrevista deve entrar em uma edição sobre o tema prazer. Sasha dá uma risada. O que é prazer para você, então?
“O que é prazer? Hummm, boa pergunta. Porque é algo que vai muito além de um fenômeno cerebral, me parece. E que só pode ser respondido em bases muito subjetivas. Para mim tem necessariamente a ver com a relação com outra pessoa, em criar um elo com outro ser humano ou criatura. E eu estou largamente do lado de quem se dedica a dar prazer aos outros. Tá aí o meu prazer, sabe? Interagir com pessoas. Estou adorando conversar contigo. Adoro prestar atenção ao que você diz, pegar as pequenas variações com as palavras e brincar com elas. Por exemplo: você gosta de palíndromos?”
Eu? Gosto muito... por quê?
(E começa a citar, de cabeça, séries de palíndromos e rir sem parar.) “Porque palíndromos te pegam desprevenidos! Tem aquele mistério delicioso de contemplar. Você não entende como pode ser, de onde vem! Ele é uma frase que é igual de trás pra frente, meu Deus. Qualquer um com sensibilidade para isso fica chocado quando repara.”
Que nem a vida.
“Exatamente. Não é demais?”
E foi assim que me despedi de Sasha, com a melhor lição que poderia ter do profeta. Encontrá-lo no deserto teve o delicioso mistério, não entendia como aconteceu, como podia ser, de onde veio. Algo que mais tarde eu descobri que pode ser lido olhando do passado para o futuro e vice-versa. Totalmente desprevenido. E que, no fundo, estranhamente, esse palíndromo solto no tempo se estende por toda a vida, nas lembranças infantis que retornam nos anciões, nas voltas de uma trip de LSD ou na rotina de um agente do DEA. A lição de Sasha era o inefável sorrisão aberto – a fatal conclusão de que, se a vida tem algum senso, é o senso de humor.


http://revistatrip.uol.com.br/revista/179/reportagens/quem-procura-sasha.html


http://www.abp.esp.br/clinica.php

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Valadares voltou a ser palco para os melhores campeonatos de voo livre


JORNAL FIGUEIRA entrevista
por Da Redação

23/05/2014 08:49

Abel Couto Brasil, presidente da AVLI - Associação de Voo Livre Ibituruna e do Comtur-GV - Conselho Municipal de Turismo de Governador Valadares, por meio do diálogo com as instituições, fez renascer o voo livre em Governador Valadares. Sob a sua presidência, a AVLI trouxe de volta à cidade os torneios nacionais e internacionais de voo livre, que projetam Valadares internacionalmente. Nesta entrevista ele fala como resgatou estes eventos, quem são os seus parceiros e quais os planos futuros. Esclarece também porque a Prefeitura assumiu a administração da rampa de decolagens no Pico da Ibituruna.

Figueira - O que levou a Prefeitura a assumir o controle administrativo da rampa de decolagem no Pico da Ibituruna?

Abel Couto - A Prefeitura decidiu administrar a rampa no momento em que havia indícios de que a associação que a gerenciava estaria cobrando de visitantes locais e estrangeiros uma taxa no valor de 50 reais para as decolagens. Sendo essa área de decolagem uma área pública e havendo apenas o direito de uso cedido pela Prefeitura, a AVLI - Associação de Voo Livre Ibituruna, da qual sou presidente, se posicionou contrária a essa situação. Tendo em vista que a associação que tinha o direito de uso já se beneficiava com recursos advindos do aluguel de imóvel e antenas sobre ele localizados na rampa, recebendo também recursos da Prefeitura para a manutenção e realização de eventos, e entendendo que a rampa deve ser autossustentável, isso não poderia gerar despesas adicionais a seus usuários. O Ministério Público interveio, a Prefeitura reconheceu os atos indevidos, e retirou da associação o direito de uso da rampa. Os novos procedimentos de uso estão sendo examinados pelo Comtur-GV - Conselho Municipal de Turismo de Governador Valadares.

Figueira - E a partir de agora, como será o uso, quais os procedimentos?

Abel Couto - Estamos trabalhando com o Comtur-GV, no qual também ocupo o cargo de presidente, conselho que integra a Secretaria de Desenvolvimento, sob a liderança do secretário Darly Alves. Em assembleia, criamos uma Comissão Representativa do Voo Livre. Nomeamos os representantes, com o objetivo de juntar todas as entidades esportivas, de classe e de turismo, que estão diretamente envolvidas no voo livre, para elaborar regras de manutenção e administração da rampa do Pico da Ibituruna. Esta será uma forma democrática e correta de levar à Câmara dos Vereadores as regras devidamente aceitas nas assembleias do Comtur-GV, para que sejam votadas e assim se transformarem em leis, possibilitando gerenciamento e controle efetivos.

Figueira - A AVLI trouxe de volta os campeonatos que não aconteciam há vários anos em Valadares. Como foi esse trabalho de renascimento do voo livre na cidade?

Abel Couto - É verdade. A AVLI foi reativada por pilotos que protestaram contra os sinais de afronta à nossa cidadania, restringindo o direito de voar assegurados pela Constituição Federal. Protestamos contra a perda dos campeonatos em Valadares e contra as cobranças indevidas que eram feitas dos nossos turistas esportivos para decolarem na rampa do pico.
Por estas e muitas outras ações equivocadas, ficamos 10 anos sem os campeonatos oficiais de Asa Delta e 7 anos sem os oficiais de Parapente. Em apenas um ano, com muito trabalho e esforço, dialogando com Prefeitura, que acolheu as nossas reivindicações, conseguimos resgatar primeiramente o Campeonato de Asa Delta - Ibituruna Open 2013 junto com toda a elite do voo livre nacional. Isso foi o start para que todos vissem novamente que Valadares somente estava cochilando. Com a garra e determinação da AVLI e seus apoiadores, pudemos mostrar que Valadares está de volta ao seu lugar merecido no cenário mundial do voo livre. Com muito esforço e trabalho conseguimos trazer de volta em 2014, três grandes eventos, como a Super Final da Copa Mundial de Parapente - PWC, o Campeonato Brasileiro e Internacional de Asa Delta - Coelho Diniz Open 214 e o Campeonato Brasileiro e Internacional de Parapente - Valadares Open 2014, que foram elogiados pela qualidade e organização, algo marcante para todos os pilotos que participaram. Neste curto período vieram para a nossa cidade mais 500 pilotos de vários países do mundo e do Brasil, o que nos leva a crer que o número de visitantes tenha alcançado mais que o dobro do ano anterior, isso somente neste início de ano.

Figueira - E qual foi a repercussão disso tudo fora de Governador Valadares, o que a cidade ganhou com isso?

Abel Couto - Estes feitos vêm repercutindo fortemente, e Valadares voltou a ser palco dos melhores campeonatos do mundo. A mídia internacional destacou esses eventos e nossa cidade foi tema de reportagens nas mais importantes revistas do mundo, especializadas em voo livre, que consideram Governador Valadares a capital mundial do voo livre. Com o apoio da ABVL - Associação Brasileira de Voo Livre, que vem fazendo um trabalho espetacular na sua nova gestão, sob a presidência do Chico Santos, e também o apoio irrestrito da Prefeitura de Governador Valadares, da Prefeita Elisa Costa, a AVLI tem para o futuro próximo um quadro promissor de muitos eventos de sucesso com o retorno de turistas e esportistas do mundo inteiro, de volta ao local conhecido como Hawaii do voo mundial.

Figueira - O que a AVLI prevê para o futuro do voo livre em Valadares?

Abel Couto - Um dos temas mais importantes e próximo objetivo é conseguir o apoio da Prefeitura ou da iniciativa privada, para a implantação de uma linha de ônibus, transporte com passagens mais baratas para os pilotos e turistas que vierem a Valadares e quiserem visitar o Pico da Ibituruna. Traremos em 2015 os principais campeonatos nacionais e internacionais, repetindo o sucesso alcançado em 2013/2014, com o pensamento de que para cada ano poderemos aumentar o turismo esportivo do voo livre em nossa cidade. A AVLI agradece a todos os seus associados, empresários e especialmente à Prefeitura, pelo apoio que tem nos dado. Agradecemos também aos patrocinadores, em especial a SOL PARAGLIDERS sempre presente em todos os eventos

veja em http://www.figueira.jor.br/

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